No Brasil:
Lula diz: "Eu não aumento o meu salário". Cut entra com uma ação contra o aumento de 91%. Renan Calheiros e Aldo Rebelo dizem que não irão receber verba extra para o aumento, mas sim que irão fazer um remanejamento administrativo. Lula diz: “Eu não posso dar palpite sobre um poder que decide aumentar o seu salário. Tanto o presidente Aldo, quanto o presidente Renan disseram que vão tirar o dinheiro do próprio orçamento deles". Eis o quadro político nacional.
Primeira coisa: Curiosa a expressão do Lula. “...vão tirar o dinheiro do próprio orçamento deles”. Como se o orçamento realmente fosse deles. Mesmo que eles sejam os presidentes da câmara e do senado, não podemos chamá-los de “donos do orçamento”. O orçamento é da Câmara e do Senado e, em última instância, do povo. Pois, se o dinheiro tem algum dono, este é o povo. Qualquer João da esquina, mas não me venha dizer que é do Aldo e do Renan.
Ponto dois: Este tal de remanejamento administartivo significa, afinal de contas, o quê? Cortes terão que ser feitos. Meu medo é que, após algum tempo, as “pontas cortadas” tenham que ser novamente costuradas. Nesse momento, me pergunto se irão abaixar novamente o salário dos excelentíssimos, ou se irão simplesmente aumentar o orçamento que lhes cabe.
Ponto três: Já que há gastos supérfulos na câmara e no senado, tão supérfulos que podem ser cortados (e esta será a fonte do aumento), não seria muito melhor (mais ético, correto, etc...) que estes cortes realmente fossem feitos, mas que o dinheiro fosse usado de uma maneira muito melhor? Ninguém vai me convencer que é melhor dar um aumento aos deputados e senadores do que aumentar o salário dos professores, por exemplo.... Assim, já que está sobrando dinheiro, que o devolvam para a união e que o repassem para a cultura, por exemplo.